Comprei um novo livro, não estou lembrando o nome agora, mas tudo indica que deve ser bom. Um dia desses vi Clarice Lispector dentro da sua mochila e li uma pequena frase de Martha Medeiros no seu caderninho.
É... Aprendeste a lê-los melhor que eu, não que você não goste de ler, é que você aprendeu a senti-los. O que quero dizer é que fiquei muito feliz, pois ainda bem que entre tantas coisas ruins que te fiz, pelo menos alguma coisa bonita eu consegui deixar na tua vida. A Martha vai te ajudar muito, você vai ver.
Ela sempre me ajudou. Já a Clarice, não. Ela é mais dura que a Martha.
Ela não tem dó. Ela vai lá no fundo e faz rasgões no nosso coração com sua fragilidade mansa. Vez ou outra, Martha tenta ser durona também. E usa de uma hostilidade que não lhe cabe no branco do papel. Mas ela não consegue por muito tempo.
Ela tem um coração bom, assim como Clarice também. Mas as angústias da vida não a fizeram mais ou menos triste. Ela não.
Às vezes parece que ela tinha medo de ficar só. Às vezes acho que também tenho.

Curti muito esse post, essa diferenciação entre Clarice e Martha. Primordial.
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