Páginas

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Por isso havia aquele vez em quando...

... ali, a alguns quilômetros de distancia, depois do número 20, ela encontrou um lugar tranquilo pra pensar.
Ela, que havia aprendido a não viver de metades, já não reconhecia os inteiros.
Arriscava viver como se nada faltasse.
Chegou a pensar que talvez estivesse na vida errada.
E que arriscar ou não, terminaria levando ao mesmo vazio.
... vazio de alma, vazio de amor, vazio de um monte coisa.
Mas ela sorria pra quem quisesse ver.
E chorava, mas não gostava de falar como as coisas realmente estavam.
Ali, sentada a quilômetros de distância, ela encostou a cabeça embaixo da árvore e suspirou.
Suspirou pra aliviar o peso das costas, pra tentar fugir desse preto e branco, pra tentar sonhar um sonho bom e retido, pra não repensar nos caminhos que escolheu.
Ela doía por dentro, mas era difícil perceber.
E se permitia sofrer por dentro, chorava de vez em quando e continuava fingindo não sofrer.
Isso ela sabia de cor.
Teve vontade de cessar algumas vezes.
Mas se não saísse para ver beija-flores todas as manhãs, só veria a primavera outra vez daqui 365 dias.
Por isso ela decidiu ficar de pé.
Por isso ela vestia um sorriso bom de se ver, mesmo chorando por dentro.
Por isso ela decidiu jogar fora seus textos e começou a colecionar solidão.
Era outono quando tudo foi embora.
Agora já é primavera e tudo! e quase nada...
... mudou.

A.Gouveia

Um comentário: