Acontece,
às vezes, de a gente se sentir vazio de alma, vazio de amor, vazio de um monte
coisa e, acabar não tendo pra onde ir.
Você
sabe: pessoas demais, jeitos e roupas
iguais, mas não há ninguém semelhante à essa solidão pesada. São nessas
horas que a gente silencia o peito. coloca uma música bem leve. e vai pensar.
ou escrever. ou ler um livro que ficou pela metade há tempos na estante, junto
a tantos outros ainda não lidos.
Não
sei se foi culpa do amor ou a falta dele, ou se é coisa da idade [como dizem
por aí que pode ser] ou se é nosso jeito de escolher a tristeza até quando o
outono vai embora.
Vai
ver, preferir não sentir, ou não criar expectativas seja um jeito de se
ausentar.
Às
vezes é como milagre, sabe? Um piscar de olhos e pronto: O ar já não pesa
tanto, se vê o lado de fora, esse lugar que, ao menos de início, parece não ter
espaço pra toda essa bagunça e esses vazios de sabe-se lá o quê que andou
sufocando peito, que se instalou sem pedir licença e se guardou. Inicialmente
vem um sorriso sem jeito, e vai acontecendo assim, como mágica.
Essa
fase, essa esperança, esses silêncios, essa nova estação. cada dia, deixa a vida
menos pesada. Cada recomeço, uma pequena chance para silenciar, sorrir e preencher vazios.
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