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domingo, 4 de agosto de 2013

Ah, seu moço. [ 2 ]

- Como assim?
- Acho que sempre depositei amor nas coisas erradas, enquanto as certas poderiam estar ali, do meu lado e eu cego não percebi.
- Entendo.
- Não. Ninguém consegue entender. Nem mesmo eu consigo entender. Apesar de... eu sei que lá fora está perfeito e que faz dó ficar triste em um dia tão bonito. Então decidi sorrir.
- Fico feliz ao ver você voltar a sorrir. Quem sabe até você possa se apaixonar de novo, e que dessa vez que seja pelo certo, não é?
- Não. Não sei. Não vou  pensar sobre isso. As coisas andam bem assim e são tantas coisas pra viver e ainda ter que dividir! Não sei se consigo.
- Então você ficará só?
- Não! Tenho meus amigos, e minha família...
- Mas e o amor?
- Continuo amando, amo todos eles...
- Me refiro a outro tipo de amor.
- Ah, é que sempre achei que esse tipo de amor trás mágoa, e machuca.
- Isso é triste.
- Você vai se acostumar!
- Não. Não quero me acostumar.
- As vezes acho que eu também não quero.
- Então, não se acostume!
- Ah, acho que isso já faz parte de mim.
- Você é muito confuso!
- Eu disse que você não entenderia. Mas então talvez eu tenha conhecido alguém, num desses dias em que resolvi olhar para o lado.
- Sério? E aí?
- Uhuuum. Mas prefiro não contar. Costumo perder tudo aquilo que amo, então prefiro deixar as coisas como estão.

A.Gouveia

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