Páginas

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Nota ao leitor

Às vezes é assim: o ar pesa, tudo enche, tudo cansa, e esvazia de vez, e termina perdendo um pouco o sentido. Até que todas aquelas coisas que a gente andou planejando um dia, se realizam por metades.
Então nos perguntamos: "por que não por inteiro?" ou "por que isso e não aquilo?".
Não sei se há uma lógica  nisso tudo, assim como encontro nos problemas matemáticos que me rodeiam.
Hoje pela madrugada, uma amiga veio me contar que uma amiga dela gostou do "Momento Lápis Papel",falou que ando ausente, e que tem o achado um pouco triste ultimamente.
Fiquei sem saber o que dizer... porque no fundo sei que ela não mentiu.
Então eu prometi escrever coisas um pouco mais felizes daqui pra frente.
Mas vez ou outra as tristezas aparecerão por aqui, pois elas fazem parte de mim e não posso evitar.
Talvez eu tenha andado cansado mesmo!
Cansado da correria, cansado dessa bagunça, cansado de algumas pessoas, cansado de esperar sempre por algo que não vem.
Daí lembro que aprendi a caminhar sem pressa, e a ver bem com o coração...
As manhãs de sol; os almoços com a Anni, Ana, e a Lú; as tardes no trabalho; o lanche na padaria com amigos; o tchau da Rebeca pelo vidro todas as tardes; a caminhada na praia no fim do dia, depois do trabalho com a Anni, e a Nati; fica claro que essas pequenas coisas bastam pra me fazer sorrir.
Hoje a noite, e só pra completar o meu dia de tantas surpresas, duas senhoras bem velhinhas sentaram ao meu lado no banco em frente ao mar.
Falaram sobre o avô jornalista, sobre a beleza de escrever, e sorriram...
E sem que eu desse uma palavra sobre cansaço ou tristeza, uma delas olhou para mim e disse: "Está cansado? Ou está triste? Se for cansaço, durma bem quando chegar em casa. Se for tristeza, espero que passe logo. Mas não se permita entristecer por outras pessoas. Apenas fique triste por você hoje. Você perceberá quantos motivos tem pra ser feliz. E irá sorrir de verdade."
Assim que ela silenciou, o seu filho chegou e elas se foram.
 E eu ainda estou pensando em todas as palavras que ouvi...
Me despedi num sorriso e arrisquei um 'prazer em conhecer'.
Não sei se voltarei a vê-las em alguns desses bancos em frente ao mar.
Algum dia quem sabe... quando o coração precisar ouvir certas verdades que arrancam suspiros e fazem olhar pra frente e viver.
Isso não mudou meu cansaço, nem meus enganos. Mas como disse o Ilkerson:
"Algumas vezes é necessário se enganar para tocar a vida.
Não é bom sofrer por todas as coisas que acontecem de errado, então a gente finge e toca o barco. E chegará uma hora que toda essa bagunça acumulada irá brotar. Mas ainda assim, é melhor que sofrer sempre".
Me desculpem se O Momento Lápis Papel tem andado um pouco ausente ou um pouco triste.
Nos últimos dias acho até que ele andou meio feliz.
Vai ver... é só questão de tempo.
(A.Gouveia) 

Nenhum comentário:

Postar um comentário