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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Uma carta para Ester.

Junho de 2013.

Acho que você não se deu conta que seu outono andou chovendo mais que o normal.
Andou molhando o chão, corações, e você; [que silenciosamente] se deparou com todas aquelas expectativas que ficaram guardadinhas na estação passada. Eu sei que você andou se esforçando bastante pra que tudo pudesse ter sido diferente e chegou realmente a crer que pudesse ser...
Mas aí deu nisso... Acabou juntando dores, mágoas.
Sem perceber ficou vendo a vida passar pela fresta da janela, outras vezes vendo da varanda a vida lá fora como se fosse filme.
Eu sei que viver nunca será fácil.
Às vezes dói. Eu sei...
Não sentir que o coração está bem te corrói.
Às vezes a aflição te guarda, outras vezes tu é quem guarda as aflições.
Que a frieza, ela te recompõe.
Mas presta atenção no que vou te falar! Sexta-feira a estação vai mudar e o ciclo estará pronto pra recomeçar, apenas se assim você consentir... e deixo escapar que não queria que você consentisse.
Ao menos dessa vez. E que extraísse bem lá do fundo do coração, uma força de reinício.
E que fosse feliz. 
Mas bem feliz meeesmo!  
[Rodeada pelos clichês do "custe o que custar" e do “Seja o que Deus quiser”].
Que saísse um pouco mais de casa. Que participasse mais da vida.
Que tivesse mais amor [próprio dessa vez].
Eu volto quando for verão, Ester.
Até lá, aqueça as mãos. E congele esses lamentos, como pequenos torrões de açúcar.
Quero ver você sorrindo da próxima vez...

 
Com esperança,
Amador.

A.Gouveia

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