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sábado, 4 de maio de 2013

Ensaio sobre ela.

      Foi bom vê-la sorrir sentada. Oito mesas, três malas, dois gatos, seis quiosques, vinte e oito pessoas, trinta e quatro lágrimas (17 pares de olhos vivendo uma mesma alegria), um senhor falando de sua mocidade, três pardais, quatro pombos e provavelmente milhares de formigas nos separam. Com o tempo, vejo que o copo segurado lindamente pelos seus dedos ainda trêmulos ficou ali, talvez fosse água: a transparência refletia o sol somado ao calor, e o vento leve confirma. Contemplo seu jeito calado, olhos negros e grandes, dá um ar de estar sempre em atenção, ou de intelectualidade. Sinto-me em Paris. Que bobagem a minha! Como se o lugar nos tornasse mais inteligentes ou atenciosos. Parece ser o décimo segundo suspiro fundo do seu dia. Quando uma mulher suspira fundo ou fica em silêncio, ela não está simplesmente suspirando fundo ou em silêncio, mas pensando na vida, naquele amor que não deu certo, naquela coisa que chegou e aconteceu antes da hora, ou pior: no que sua família e no que as pessoas iriam achar. Suspiro e silêncio se confundem dentro de uma mulher, são coisas complicadas de sentir, o passado aparecendo como um comercial entre a novela das 21h do coração. Autor: suspiro! Ator coadjuvante: silêncio! Atriz principal: ela! Daqui, do outro lado da rua, admiro essa linda moça, sem suspiro, sem silêncio, sem tristeza, sem alguém ao lado para perguntar como foi o meu dia.
E saiba que ainda guardo teu sorriso acanhado escondido na palma da mão.


(A.Gouveia)

Um comentário:

  1. Eu sei que esse foi pra mim, Andinho. Sesc não foi? Tá lindo. Faltou o que aconteceu no final. Kkkk

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