Ensaio sobre ela.
Foi bom vê-la sorrir sentada. Oito mesas, três
malas, dois gatos, seis quiosques, vinte e oito pessoas, trinta e quatro
lágrimas (17 pares de olhos vivendo uma mesma alegria), um senhor falando de
sua mocidade, três pardais, quatro pombos e provavelmente milhares de formigas
nos separam. Com o tempo, vejo que o copo segurado lindamente pelos seus dedos
ainda trêmulos ficou ali, talvez fosse água: a transparência refletia o sol
somado ao calor, e o vento leve confirma. Contemplo seu jeito calado, olhos negros
e grandes, dá um ar de estar sempre em atenção, ou de intelectualidade.
Sinto-me em Paris. Que bobagem a minha! Como se o lugar nos tornasse mais
inteligentes ou atenciosos. Parece ser o décimo segundo suspiro fundo do seu
dia. Quando uma mulher suspira fundo ou fica em silêncio, ela não está
simplesmente suspirando fundo ou em silêncio, mas pensando na vida, naquele
amor que não deu certo, naquela coisa que chegou e aconteceu antes da hora, ou
pior: no que sua família e no que as pessoas iriam achar. Suspiro e silêncio se
confundem dentro de uma mulher, são coisas complicadas de sentir, o passado
aparecendo como um comercial entre a novela das 21h do coração. Autor: suspiro!
Ator coadjuvante: silêncio! Atriz principal: ela! Daqui, do outro lado da rua, admiro
essa linda moça, sem suspiro, sem silêncio, sem tristeza, sem alguém ao lado
para perguntar como foi o meu dia.
E saiba que ainda guardo teu sorriso
acanhado escondido na palma da mão.
(A.Gouveia)
Eu sei que esse foi pra mim, Andinho. Sesc não foi? Tá lindo. Faltou o que aconteceu no final. Kkkk
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