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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

É o ponto em que recomeço



... Então amanheceu mais um dia,
Mas não era só do sono que despertara...
Ela despertava pra vida... e despertar pra vida às vezes dói... ou quase nada.
Mas nela doía. Doía aquela dor de dentro, de quem andou perdendo coisas e tempo demais pelo caminho.
Doía e ela nem queria que entendessem o que ela andava sentindo, já que nem ela mesma entendia.
Pensou uns dias... E decidiu juntar tudo que era dos dois e separou em momentos bons e tristes que sentiu.
Guardou em uma caixa as mágoas, as escolhas erradas, as esperas em vão, as palavras ditas sem pensar, o desgaste, a insegurança, o amor dele por outro alguém, as frustrações das respostas que não teve, e todas as perguntas que não fez.
E na outra caixa que deixou aberta (só pra lembrar depois), guardou um gostar espontâneo junto com os sorvetes de chocolate, as cartinhas, as fotos de sorrisos perfeitos, os sorrisos bobos, a confiança, os desejos, os planos, e todos os textos e cartas que não escreveu.
Percebeu no entanto, que tudo que tinha eram apenas a vontade de recomeçar, algumas palavras e um sentimento esquisito que insistia em acompanhar a mudança.
E isso era tudo que lhe devolvia a vida, essa vontade de recomeçar.
E essas coisas todas pra dizer, que ela insiste em ter e em ser feliz.
E que anda pensando em escrever e dar sentido as palavras na esperança de que entenda ou de que ela consiga enfim, guardar tudo nas caixas, assim como fez esta manhã.


- A.Gouveia



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