Quero te contar uma coisa... Você não vai conseguir imaginar o quanto eu já imaginei você aqui. Eu poderia baixar uns 2 ou 3 filmes, e te trazer aqui em casa para ficarmos uma manhã inteira deitados no sofá, mesmo assim ainda seria um pouco solitário, continuaríamos deitados em lugares separados, e terminaríamos os filminhos com alguma coisinha de romance, e eu agarradinho no seu pé, com a outra mão segurando mais forte em seu dedão do outro pé no momento mais tenso de querido John. Seus olhos grudados na tela e os meus olhos paralisados no seu rosto. “Eu sei que você iria rir, se olhasse a minha cara de tensão, afinal a história do filme é bem triste, mas acabaria parando o filme e acariciando os meus cabelos, me dando um beijo na testa, e como clichê me diria “É só um filme Mô, calma”, "Vai dar tudo certo”, eu sei que me sossegaria, mas ainda assim não teria a coragem de olhar pra TV. Eu realmente fico nervoso com filmes de drama, ela diria que era de amor, mas bem, eu já te contei isso, mas mesmo assim você disse que queria assistir comigo, por mais que já tivesse certeza de que eu não conseguiria prestar atenção em nem um minuto desse filme. “Mô, o filme não é tão triste”, eu sei que seria maravilhoso.
Durante a tarde comeríamos algumas besteiras, mas não iríamos exagerar, afinal, com o problema de gastrite que nós temos, além dos remédios e tal, você não pode exagerar demais nesse tipo de comida. Aliás, eu também não posso. Depois do filme pegaríamos a mão um do outro e daríamos umas voltas pelas ruas movimentadas do meu bairro. Daí, você conheceria o meu lado mais popular e mais desastrado a me ver tropeçar diversas vezes quando cumprimento o povo que passa do outro lado da rua, a gente iria rir muiiiito. Eu te pediria pra me falar dos seus livros, do programa malhação, do texto que você achou interessante, me falar dos seus cursos que pretende fazer, dos problemas pessoais, e que vem enfrentando algumas dificuldades para estudar, iria falar de tudo que você faz e que você já me contou inúmeras vezes. Confesso, eu gostaria de ouvir novamente.
Contaria como havia sido seu dia anterior, e das conversas de MSN com um certo ex que sempre aparecia com umas cantadinhas no inicio das conversas, e que você logo cortaria mudando de assunto. Amor, eu tenho certeza que ficaria claro minha expressão de preocupação quando você me conta tudo de você. Então, inesperadamente eu ficaria calado e triste do nada, e quando você me perguntasse o que havia acontecido eu só gesticularia com os ombros, discretamente e ficaria amuado. E te diria que não pegaria bem esse tipo de conversa, e que não gosto porque ele é aquele que um dia te fez sofrer. Depois você diria que entende o que eu estou sentindo, e eu tenho certeza que você entenderia do mesmo modo que eu te entendo, daí essa tristeza não permaneceria por muito tempo, logo estaríamos rindo mais uma vez, afinal, estamos juntos depois de 6 semanas distantes.
Não perderíamos tempo com essas briguinhas bestas, até porque não somos de brigar. Seria tarde e eu teria que te levar para casa, pegaríamos o 1° ônibus e possivelmente aquela menina estaria olhando pra mim, você ficaria irritada e com um ciumezinho, me daria um beijo pra marcar território e eu te daria um beijo no rosto, você ficaria calma e daria um sorriso. Desceríamos em uma certa parada de Boa Viagem para tentar pegar algum ônibus que vá até Piedade. Entraríamos no 2° ônibus e desceríamos na academia, eu te acompanharia até seu apartamento e tentaria me despedir de você, mas você estaria com bastante medo de ser vista comigo por causa dos seus pais. Então, entraríamos na galeria para pegar uma fatia de bolo pra você, e logo você começaria a perder esse medo bobo, mas exigiria a fatia do bolo de coco como barganha, eu negaria devido a sua saúde e você falaria que não vê à hora de parar de tomar esses remédios chatos. Você insistiria até eu aceitar seu pedido, mas como eu não mudaria a decisão você pediria uma empada de forno no lugar do bolo de coco, e no fim das contas, ficaríamos algumas horas ali, sem notar tempo passar, conversando, comendo, rindo, e estaríamos felizes.
O sol no final da tarde anunciaria a hora, o seu celular iria tocar e seria a sua irmã, histérica, perguntando onde você estava, e mandando você ir rápido pra casa, pois você nunca havia feito isso antes, eu pediria o seu celular pra falar um minutinho com ela, você me daria aquele sorriso lindo e maravilhoso, e eu estenderia a mão em espera. Você não me entregaria o celular, e eu iria pra bem perto do celular pra falar que você não estava correndo nenhum perigo e que estava bem cuidada comigo, e que estávamos comendo bolo e tomando suco de acerola na galeria, sua irmã não entenderia quase nada, devido a minha voz grave e porque a gente já estaria falando e rindo juntos, no final ela soltaria uma gargalhada e pediria para você não demorar mais um minuto e ir pra casa. Com aflição eu deixaria você ir embora, mas antes te pediria aquele seu abraço forte, e eu diria que estava parecendo um Loré, mas você diria que Loré é você. Morrendo de ciúmes desse titulo que te dei. Eu nesse momento, perdido em seus braços curtos e em suas mãos delicadas. Eu tenho certeza que seria o melhor abraço de todo o universo.
Na segunda de manhã você me acordaria com uma mensagem de celular dizendo que havia chegado na faculdade e que está morrendo de saudades, pois foram dois dias que mais pareciam 6 semanas. Eu desceria do ônibus correndo e chegaria na faculdade e te encontraria de cabeça baixa na carteira da sala de aula, você daria um risinho lindo de tão tímido e me pediria desculpas por me mandar uma mensagem tão cedo, olharia para mim, e riria ainda discretamente dizendo o quanto meu cabelo estava desarrumado. Eu ficaria um pouco sem jeito, e você abriria um sorriso escandaloso. Sairíamos de mãos dadas mais uma vez pela faculdade, até chegarmos próximos à cantina sentaríamos naquela cadeira que sempre sentamos que só falta uma placa com seu nome pra dizer que é o nosso lugar, eu te olharia sorrindo, e você me perguntaria o motivo o qual eu estaria sorrindo, eu sorriria, você se espelharia no meu sorriso e daríamos aquele nosso abraço forte e demorado novamente, nenhum dos dois veria os minutinhos se arrastando, os professores passando, os alunos olhando, o que nos mostraria que o tempo passava, seria o chamado das meninas da sala dizendo que precisávamos ir, pois, seus pais tem umas regrinhas básicas de horários e te queriam no trabalho do seu pai às 13h ou em casa antes de 15h.
Eu te daria um beijo demorado no rosto, e você retribuiria esse gesto logo em seguida. Certamente você ficaria triste e seguraria uma lágrima que estava prestes a escorregar dos seus lindos olhos brilhantes, me diria que logo, logo voltaríamos a nos ver e que me ligaria quando chegasse em casa. Você entraria no prédio e eu te olharia até a curva que eu faço ou até a rua da parada nos cobrir. Quem visse de fora veria ali uma paixão louca e desajeitada, mas eu e você veríamos um grande amor envolvido nisso tudo. Puro, com sincera amizade e com muitos planos, alguns deles já em prática. Eles podem não acreditar. Mas nós dois sabemos e isso basta.

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