Estou escrevendo numa noite cinzenta, fria.
(...) Febre a tarde inteira.
Ando me esforçando de maneira insistente para espantar toda a solidão e meus pensamentos.
Perdi muito tempo com este meu segredo.
Hoje eu assumi para alguns amigos e parentes a minha doença.
Eu sei... Dizem que gente grande faz assim desse jeitinho.
Talvez eu esteja virando gente grande.
Acho que o principezinho aqui dentro esteja crescendo.
É... Eu ainda tenho muitos medos.
Medo de altura, de voar, de não terminar a faculdade.
Tenho medo de ficar de cama, de não poder andar,
De amar, de morrer... De ser feliz.
Tenho muito medo de fazer análise que me foi recomendada e perder a inspiração.
Tenho medo que meus amigos me abandonem nesse momento,
Eu tenho medo e já aconteceu... E está acontecendo.
Tenho medo de tudo que ainda está por vir.
Tenho ajudado as pessoas contando a minha desgraça.
E fico feliz quando elas percebem que alguns de seus problemas não são grandiosos.
Ainda quero casar, quero comprar meu apartamento, comprar uma fazenda e fazer filhos, talvez essa seja a única maneira de ficar pra sempre na Terra.
Porque fotografias e palavras deixam de existir…
As pessoas esquecem.

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