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segunda-feira, 26 de março de 2012

O que as pessoas esquecem

Estou escrevendo numa noite cinzenta, fria.
(...) Febre a tarde inteira. 
Ando me esforçando de maneira insistente para espantar toda a solidão e meus pensamentos. 
Perdi muito tempo com este meu segredo. 
Hoje eu assumi para alguns amigos e parentes a minha doença. 
Eu sei... Dizem que gente grande faz assim desse jeitinho. 
Talvez eu esteja virando gente grande. 
Acho que o principezinho aqui dentro esteja crescendo. 
É... Eu ainda tenho muitos medos. 
Medo de altura, de voar, de não terminar a faculdade. 
Tenho medo de ficar de cama, de não poder andar, 
De amar, de morrer... De ser feliz. 
Tenho muito medo de fazer análise que me foi recomendada e perder a inspiração. 
Tenho medo que meus amigos me abandonem nesse momento, 
Eu tenho medo e já aconteceu... E está acontecendo. 
Tenho medo de tudo que ainda está por vir. 
Tenho ajudado as pessoas contando a minha desgraça. 
E fico feliz quando elas percebem que alguns de seus problemas não são grandiosos. 
Ainda quero casar, quero comprar meu apartamento, comprar uma fazenda e fazer filhos, talvez essa seja a única maneira de ficar pra sempre na Terra. 
Porque fotografias e palavras deixam de existir… 
As pessoas esquecem.

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