Porque era abril, e por ser Abril
o sorriso se permitiu abrir, suave, sem alarde ou pressa. Foi numa manhã de Abril
que a conheci, em um daqueles dias que chovia bastante do lado de fora, mas
dentro era um dos verões mais lindo de se ver, como naqueles dias bons de
acontecer e ser feliz, que passam rapidinho feito chuva de verão. Usava um
vestido lilás, o cabelo solto lhe bagunçava o rosto. Carregava Pintinhas no
rosto feitas à mão – de Deus – que eram muito mais lindas que na fotografia e
um pouco de silêncio na palma da mão. Ficamos juntos até que aquilo ruim que
ela sentia decidisse sumir. A coisa se foi bem na hora que escapou um sorriso
tímido e atrapalhado no início da tarde. E conversamos sobre planos, Deus, visita
em maio, chá, sorriso, poesia, café, e sorriso borrado de café. De cada instante ficou uma lembrança, penso
então que o tempo nunca foi meu amigo. Sempre tão cheio de pressa, passando correndo,
pensando que a gente nunca percebeu ou percebe, suponho que ele gosta de mim o
suficiente para me encarar. Concluo que Abril, o tempo e eu sempre fomos cheios de idiossincrasias, excentricidades, e ângulos sutis.
Acho é preciso ter fé para
que tenhamos uma relação ideal.
Pergunto-me se percebi em que estação a gente estava, pois parecia primavera ou
verão em pleno inverno. Horas depois, foi em alguma curva de abril que ela
dobrou, e não voltou. Usava um... Eu não sei o que ela usava junto com o
sorriso, nem como estava seu cabelo, mas jamais esquecerei aquele abraço. Fui
pra casa, mesmo não querendo ir, mas uma coisa boa eu consegui deixar na vida
dela: Aquele sorriso leve no final da tarde. E tenha a certeza que gente se
encontra, Pequena.
(A.Gouveia)
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