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sexta-feira, 1 de março de 2013

Dos foras que a vida nos deu

Ele sempre teve os pretextos na ponta da língua!
Conversava sobre tudo... às vezes até incomodava com tanta falação.
E ela, vez ou outra percebia que ele sorria.
Sorria pouco. Ou talvez fosse ela que não sabia ver.
O moço que gostava de bandolins e queria tocar violino, se aproximou dela em um dia que as pessoas coversavam sobre coração partido e casamento.
E ela, sempre lá com suas desconfianças, o recebeu com 4 pedras na mão e uma no bolso! Só pra garantir...
Ele carregava uns mistérios e ela sentia coisas demais.
E entre tantas coisas que ela não acreditava, ele tentava se explicar.
E assim, arriscando, ele mostrou que as pessoas ainda escrevem nomes na areia.
E que não pode ser tão ruim cantar 'Pelados em Santos' num videokê.
Mostrou que nada é como aparenta ser. E que algumas pessoas carregam por dentro um coração sereno...
Ele acreditou no dela.
Entrou com tudo, e mostrou que ter uma mão pra segurar, deixa as outras duas numa vida mais leve.
E que respirar, pode evitar brigas!
não é preciso partituras pra tocar: dá pra fazer isso numa praia, com um violão emprestado do moço no calçadão.
Ensinou que ela nem sempre terá razão.
E que é preciso saber ceder.
E ela, que se achava complexa demais, e que ele não a entendia, veio descobrir que talvez, ninguém tenha entendido tanto.
Logo ele que foi sempre tão cheio de si...  Ela teve medo.
E foi por medo que ela brigava tanto: pra se proteger...
E se protegendo, se esqueceu de dizer que gostava um tanto dele!
Bem... esqueceu ou vai ver, preferiu mesmo nem dizer.
Sempre pra se proteger...
Mas não era dele. Sem dúvida ele não lhe faria nenhum mal.
Mas dela... e de todas as coisas que ouviu.
(A.Gouveia)

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