Ontem antes de dormir pensei em uma pergunta que me fizeram no formspring. O título deste texto foi a pergunta. Eu pensei "Amanhã nem a solidão será capaz de me acompanhar". Decidi contar o motivo pelo qual nunca mais parei de escrever. Ainda tenho muitos dos vários rabiscos em meus cadernos de infância...
Não parei de escrever porque era onde eu desabafava. Sempre que acabo rabiscar um papel, tenho a ligeira impressão de que aguardo a aprovação da Tia Suelen. É inevitável. Olho para os lados. Ela não vem. Ela nunca mais veio. Ela nunca mais virá. Isso era meu medo e meu prestígio. Algumas vezes tentei escrever para a professora Aléia, que me trouxe muito mais conhecimentos literários em séries mais avançadas, mas não consegui. Eu nunca tive vocação para escritor ou poeta. Eu não sou artista. E não sou cineasta. Hoje eu sou só alguém que aguarda os olhos da Tia Suelen em tudo que faço. E isso faz com que eu me sinta humano, vivo. Até tenho medo de não conseguir escrever, desabafar. Corrijo as letras de fôrma que ela me fez aprender. Ajusto os cantinhos, o tamanho. Não me importo se vai parecer meninice, infantil, ridículo.
Hoje eu só queria que Tia Suelen voltasse a namorar seus olhos em meus rabiscos. Aos 8 anos, Tia Suelen me chamou em tom agressivo. Vem cá Anso. Eu fui. Como não poderia ir? Naquele exato momento minha vida fazia um sentido enorme: minha vida era o caminho da cadeirinha que eu sentava até a mesa da Tia Suelen. Ela estava chorando. Seus olhos estavam vermelhos. Meu deus, me perdoe. Nunca quis magoá-la, meu pai era Um funcionário público ausente. Me perdoe duas vezes então. Ou não me perdoe, mas escute também isso que preciso dividir com todos. Fiquei confuso. Tia Suelen chorou com minha redação do primário. Ela falou coisas bonitas. Disse que eu era muitas coisas, e a maioria delas só fui entender anos depois. Como uma linda redação poderia fazer chorar? Durante o seu choro, do bolso tirei duas flores (na verdade eram Papoulas) diferentes que achei no jardim e esperava o momento certo para entregá-la. Tia Suelen, não chore. Só piorou. Como é que essas coisas acontecem? Será que Tia Suelen tinha a noção de que ela transformou minha infância em dois rostos? Antes e depois do seu choro.
Hoje, nem a saudade que entristece foi capaz de me acompanhar. Lembrei que a vida que segui agora é igual aquela posterior ao choro. Sempre lembro que sou o menino que fez Tia Suelen chorar. Eu só lembro das últimas frases que escrevi naquela redação.
"Meu pai anda sumido por causa do trabalho e ele vive consertando equipamentos que os adultos quebram. Ele está preocupado porque eu brinco e falo sozinho. Meu pai não sabe ouvir meus bonecos: Jaspion e changeman. Meu pai não sabe ouvir o Playmobil. Não estou sozinho, pai. Meu pai não sabe ouvir minha Caminhonete azul que bate e amassa.
Não parei de escrever porque era onde eu desabafava. Sempre que acabo rabiscar um papel, tenho a ligeira impressão de que aguardo a aprovação da Tia Suelen. É inevitável. Olho para os lados. Ela não vem. Ela nunca mais veio. Ela nunca mais virá. Isso era meu medo e meu prestígio. Algumas vezes tentei escrever para a professora Aléia, que me trouxe muito mais conhecimentos literários em séries mais avançadas, mas não consegui. Eu nunca tive vocação para escritor ou poeta. Eu não sou artista. E não sou cineasta. Hoje eu sou só alguém que aguarda os olhos da Tia Suelen em tudo que faço. E isso faz com que eu me sinta humano, vivo. Até tenho medo de não conseguir escrever, desabafar. Corrijo as letras de fôrma que ela me fez aprender. Ajusto os cantinhos, o tamanho. Não me importo se vai parecer meninice, infantil, ridículo.
Hoje eu só queria que Tia Suelen voltasse a namorar seus olhos em meus rabiscos. Aos 8 anos, Tia Suelen me chamou em tom agressivo. Vem cá Anso. Eu fui. Como não poderia ir? Naquele exato momento minha vida fazia um sentido enorme: minha vida era o caminho da cadeirinha que eu sentava até a mesa da Tia Suelen. Ela estava chorando. Seus olhos estavam vermelhos. Meu deus, me perdoe. Nunca quis magoá-la, meu pai era Um funcionário público ausente. Me perdoe duas vezes então. Ou não me perdoe, mas escute também isso que preciso dividir com todos. Fiquei confuso. Tia Suelen chorou com minha redação do primário. Ela falou coisas bonitas. Disse que eu era muitas coisas, e a maioria delas só fui entender anos depois. Como uma linda redação poderia fazer chorar? Durante o seu choro, do bolso tirei duas flores (na verdade eram Papoulas) diferentes que achei no jardim e esperava o momento certo para entregá-la. Tia Suelen, não chore. Só piorou. Como é que essas coisas acontecem? Será que Tia Suelen tinha a noção de que ela transformou minha infância em dois rostos? Antes e depois do seu choro.
Hoje, nem a saudade que entristece foi capaz de me acompanhar. Lembrei que a vida que segui agora é igual aquela posterior ao choro. Sempre lembro que sou o menino que fez Tia Suelen chorar. Eu só lembro das últimas frases que escrevi naquela redação.
"Meu pai anda sumido por causa do trabalho e ele vive consertando equipamentos que os adultos quebram. Ele está preocupado porque eu brinco e falo sozinho. Meu pai não sabe ouvir meus bonecos: Jaspion e changeman. Meu pai não sabe ouvir o Playmobil. Não estou sozinho, pai. Meu pai não sabe ouvir minha Caminhonete azul que bate e amassa.
Será que meu pai sabe ouvir?"

Chorei.
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